(Primeira página, edição 2) Parecia jogo de campeonato estadual. O time interiorano acuado, zonzo, assistindo de dentro de campo o time grande trocar passes. Mas era o maior clássico da América do Sul. O time pequeno em campo tinha cinco estrelas sobre o escudo, tomando olé da atual campeã mundial, que fez valer, por 90 minutos, essa credencial.
O técnico vencedor, Scaloni, foi muito elegante em valorizar a história brasileira. Não tripudiou. O mais próximo do deboche foram as embaixadinhas do goleiro Martínez e alguns diálogos provocando Raphinha — que pediu por isso, na entrevista a Romário que já está tatuada em seu currículo, ao falar de “porrada”.
O camisa 11 brasileiro poderia falar em jogar bola, coisa que só os hermanos fizeram, de um jeito muito desconcertante. A ponto de me fazer adiar buscar o copo d´água na cozinha, receoso de perder o próximo gol.
A Argentina jogou bola. Muita bola. O Brasil está perdido. Quis Ancelotti, tapou com Diniz, esperou em Dorival o arroz e feijão que não veio. Nem o básico se vê em campo. A receita desandou.
Se o 7 a 1 foi estonteante, naquele “virou passeio” em poucos minutos de agonia, este 4 a 1 foi consistente, revelador, um dolorido diagnóstico: a um ano da Copa, o hexa parece um delírio.