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Argentina 4, Brasil 1, fora o tango

(Primeira página, edição 2) Parecia jogo de campeonato estadual. O time interiorano acuado, zonzo, assistindo de dentro de campo o time grande trocar passes. Mas era o maior clássico da América do Sul. O time pequeno em campo tinha cinco estrelas sobre o escudo, tomando olé da atual campeã mundial, que fez valer, por 90 minutos, essa credencial.

O técnico vencedor, Scaloni, foi muito elegante em valorizar a história brasileira. Não tripudiou. O mais próximo do deboche foram as embaixadinhas do goleiro Martínez e alguns diálogos provocando Raphinha — que pediu por isso, na entrevista a Romário que já está tatuada em seu currículo, ao falar de “porrada”.

O camisa 11 brasileiro poderia falar em jogar bola, coisa que só os hermanos fizeram, de um jeito muito desconcertante. A ponto de me fazer adiar buscar o copo d´água na cozinha, receoso de perder o próximo gol.

A Argentina jogou bola. Muita bola. O Brasil está perdido. Quis Ancelotti, tapou com Diniz, esperou em Dorival o arroz e feijão que não veio. Nem o básico se vê em campo. A receita desandou.

Se o 7 a 1 foi estonteante, naquele “virou passeio” em poucos minutos de agonia, este 4 a 1 foi consistente, revelador, um dolorido diagnóstico: a um ano da Copa, o hexa parece um delírio.

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Corinthians merecido, apesar de Neymar

O Corinthians, time de melhor campanha do Paulistão 2025 até aqui, venceu o Santos jogando em casa, por 2 a 1. Normalíssimo.

As manchetes internet afora, entretanto, destacam com maior ênfase a ausência do santista Neymar na partida. Um edema na coxa esquerda o deixou o tempo todo no banco de reservas — mais uma presença de pressão psicológica no adversário do que uma possibilidade de entrar em campo.

A torcida corintiana, no seu direito de vencedora, aderiu ao meme de que Ney pipocou. Ok, a ficção cabe na zoeira.

A torcida brasileira se preocupa com o recém-convocado. Estará pronto para as partidas das eliminatórias? Ou poupou-se hoje para defender a seleção?

Neymar pode ter mil defeitos, mas fugir do embate não é um deles. Mesmo a lenda de que se machucava providencialmente perto do carnaval já foi desfeita pelos números.

A verdade é que cada passo seu, neste momento de sua carreira e do futebol brasileiro, é amplificado. O Corinthians ganhou, mas Neymar não jogou.

Se ele faria a diferença nesse domingo? Jamais saberemos.

O que sabemos é que Yuri Alberto segue decidindo e que Garro é um finalizador raro. Timão na final, merecidamente.

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Qual a posição de Danilo na seleção?

A lista de Dorival Júnior para as partidas contra Argentina e Colômbia pelas eliminatórias, como de costume, não trouxe muitas surpresas. O novato, o lateral-direito Wesley, do Flamengo, era o óbvio ululante. Paquetá fora, por contusão, evita o constrangimento de estar na lista com julgamento marcado na Inglaterra, que pode bani-lo do futebol. Neymar dentro, pois ninguém ousaria ignorá-lo, estando saudável.

Surpresa, talvez, a ausência de um centroavante de ofício, considerando que Matheus Cunha agora é meia e teve a boa fase premiada. João Pedro é o mais próximo do que ainda costumamos chamar de “camisa 9” em tempos de numeração fixa. Endrick poderia estar na lista. Ser reserva de MBappé no Real Madrid não diminui sua qualidade – e o moleque tem estrela.

Mas a boa discussão da convocação é a presença de Danilo. Entre os jogadores mais criticados nos últimos jogos da seleção, por não ter o mesmo vigor físico de outrora como lateral, o jogador reapareceu bem como reforço do Flamengo, atuando como zagueiro (função que já vinha exercendo na Juventus).

Dorival fez uma pegadinha. Anunciou a lista com “defensores”, unindo laterais e zagueiros. Na real, tem Wesley e Vanderson como laterais-direitos e apenas Arana para a lateral-esquerda. Danilo é o coringa (já jogou na esquerda até na última Copa do Mundo) e o treinador sugeriu aos jornalistas que fizessem o exercício criativo de imaginar o que ele fará com seus “jogadores versáteis”.

Verdade seja dita: Danilo está na lista porque começou bem no Flamengo, isto é, manteve-se em evidência e, principalmente, porque ele é o capitão de Dorival até aqui. Se haverá uma transição, se Neymar assumirá a braçadeira, saberemos mais tarde. Mas, como é de costume com treinadores brasileiros (Tite, Felipão e cia.), confiança e gratidão são tão importantes quanto desempenho.

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Barcelona 3, Corinthians 0: sinal amarelo

A má atuação na fase anterior, contra o Universidad Central da Venezuela, foi um prenúncio desse encontro desastroso, fora de casa, contra o Barcelona, do elegante treinador Segundo Castillo.

O traje à beira do campo avisava a importância que sua equipe, duas vezes vice-campeã na história da Libertadores, dava à partida. Não que o Corinthians não se importou, mas não se portou como favorito que é no confronto.

Caberia a frase de efeito de que o goleiro Contreras mal sujou o uniforme, mas vale também dizer que pouco apareceu no vídeo. O Timão, com força máxima, mas um tanto cauteloso com linha defensiva de cinco jogadores, deixou Memphis e Yuri Alberto como espectadores — à espera de uma bola.

E cabe a cautela de nomear este texto como “sinal amarelo”, porque sabemos como estará a arena corintiana na próxima quarta-feira: abarrotada, gritando até o apito final. A vaia só virá depois, se o sinal ficar vermelho. Mas não é impossível que o time se inflame e busque a difícil vitória por três gols de saldo, confiando na estrela de Hugo na disputa de pênaltis.

Antes disso, para manter a adrenalina alerta, tem o Santos de Neymar, também em Itaquera. Aperitivo e tanto para inflamar os ânimos.

Por enquanto, apreensão. Esta Libertadores pareceu tão improvável numa campanha contra o rebaixamento, e agora parece escorrer pelas mãos.

O Corinthians terá que ser mais Corinthians do que nunca.

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Ainda estou aqui

Apesar do infame aceno ao Google neste título (referência ao premiado filme Ainda Estou Aqui), é uma grande verdade: depois de um período inativo, retomo este espaço insistente, onde estão publicados quase 1,7 mil posts (primeiro em versão esporte local, na minha Bauru, e desde dezembro de 2019 com espaçados rabiscos sobre o futebol nacional).

Vamos retomar o hábito blogueiro: TEXTO. Aqui, no Instagram, no Facebook. Cada um lê onde quiser. Para agradar ao algoritmo, teremos vídeos aqui e ali.

Mas a proposta é encontrar esse nicho que gosta de futebol e de que gosta de LER.

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